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Uma triste realidade

"Nunca vi a cor do dinheiro", diz o garimpeiro que achou opala de R$ 1 milhão no PI.


Pedras de opala em sua forma bruta (Foto: Carlos
Augusto Ferreira Lima/Sebrae)
No interior do Piauí, há cerca de 40 anos, comprar fiado era comum e nenhum negócio fechado ia além de uma anotação em uma caderneta. Foi dessa forma que Raimundo Daltro Galvão, 85 anos, conhecido como Mundote, um dos garimpeiros mais antigos da cidade de Pedro II, viu seu grande achado, uma opala extra de quase cinco quilos avaliada hoje em mais de R$ 1 milhão, ir embora para o Rio de Janeiro, sem nunca ter lhe rendido um tostão.
“Isso era comum. Ainda tenho guardado no meu cofre cheques de pessoas que compraram pedras de mim há mais de 20 anos e que nunca vi o dinheiro. Mas ainda guardo, tá lá.”
A última notícia que teve de sua pedra preciosa dava conta de que um museu britânico a expunha como parte de sua coleção. “Não quero nem mais saber daquilo também. Já passou e não interessa mais”, disse, com ares de quem pouco se importa em ter perdido tanto dinheiro. “Garimpeiro é assim. O dinheiro vem e vai. Eu tenho é fé no hoje”, ri.
O interior do Piauí, onde vive Mundote, é um dos dois únicos lugares do mundo onde se encontra a opala extra - o outro é o interior da Austrália. Isso faz com que o mineral seja considerado precioso e chegue a custar três vezes mais do que o ouro. Por ano, a cidade de Pedro II vende perto de 400 quilos de joias feitas com a pedra para os mercados interno e externo.
Sorte no garimpo

Ao longo dos anos de exploração, Mundote chegou a encontrar mais duas pedras de opala negra, o tipo mais raro desse mineral - e mais valioso -, que, juntas, chegavam a pesar quase um quilo. Essa sorte para o garimpo, ainda que o destino desses maiores achados tenha sido longe de Pedro II, faz o garimpeiro sonhar em viver até os 120 anos e continuar cavando buracos em busca de mais pedras preciosas. “Só gosto disso, é isso que dá dinheiro. Aqui, tudo é opala. Se não fosse meu filho encrencar e o tempo estar assim, chovendo muito, eu já tava é lá [na mina]”, contou Mundote, que após ter sido dono da concessão de uso de quatro minas, hoje só cuida de uma.


Mina Boi Morto, antiga propriedade de Mundote. (Foto: Anay Cury/G1)
O início dessa vida em busca das opalas, em 1958, que garantiu a Mundote o sustento da família e permitiu que comprasse terras em Pedro II, ganhou um empurrão após uma despretensiosa leitura de cartas. Morador de uma região tomada por lendas de assombrações e extraterrestres, Mundote, que diz ser “crente do destino” acreditou no que lhe foi dito. Apesar de, na época, nunca ter ouvido falar da opala, o garimpeiro soube, através da vidente, que sua vida estava, de alguma forma, ligada a essa pedra.
“Uns anos se passaram, mas eu nunca esqueci isso. Foi um doido me avisar que tinha pedra sendo tirada da terra que fui querer saber o que era. E agradeço até hoje por esse doido ter aparecido... Se explodisse um vulcão nessa terra, ia sair opala em vez de lava por tudo quanto é canto. Eu sei do que tô falando.”
Confiante de que os caminhos da sua vida estão determinados pela opala e certo de que embaixo de toda a cidade de Pedro II se encontra mais pedra do que qualquer um possa imaginar, o garimpeiro divide seus dias entre a mina da qual tem licença para explorar, o cartório de registro de uma de suas filhas – para quem dá “uma força” -  e o seu Landau, um antigo carro da década de 1970, do qual não se desfaz. Fosse mais uma obra do destino, Mundote andaria em outro modelo de veículo que divide o mesmo nome com a pedra, ainda mais preciosa para o velho garimpeiro.
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Porque não temos um museu com os bens minerais encontrados no Brasil? Sempre é assim, os países europeus levando para seus museus o que temos aqui, roubando, surrupiando, e nós deixamos, não ligamos para isso.
Fonte: G1

Elementos de terras-raras e ítrio no Oceano Pacífico

     Lendo alguns resumos da Nature encontrei o seguinte estudo realizado por institutos japoneses em parceria sobre o potencial do assoalho oceânico do Pacífico como recurso de elementos de terras-raras. Postarei a tradução:

"A demanda mundial pelos elementos de terras-raras e pelo metal ítrio - quais são cruciais para os novos equipamentos eletrônicos e tecnologias para produção de energia limpa - está crescendo rapidamente. Vários tipos de sedimentos de assoalho oceânico possuem altas concentrações destes elementos. No entanto, os sedimentos de assoalho oceânico não têm sido considerados recursos de elementos de terras-raras, porque os dados sobre a distribuição espacial destes depósitos são insuficientes. Aqui nós relatamos medições composicionais de mais de 2.000 amostras de sedimentos de assoalho oceânico coletadas em intervalos de profundidade de cerca de um metro em 78 locais que cobrem uma grande parte do Oceano Pacífico. Nós mostramos que as lamas de águas profundas contêm altas concentrações de elementos de terras-raras e ítrio em diversos locais a sudeste e centro-norte do Oceano Pacífico. Nós estimamos que em uma área de apenas um quilômetro quadrado próximo a um dos locais de amostragem poderia fornecer um quinto do consumo mundial anual atual destes elementos. A absorção de elementos de terras-raras e ítrio por fases minerais, como oxi-hidróxidos de ferro hidrotermais e phillipsita, parece ser responsável pela sua alta concentração. Mostramos que os elementos de terras-raras e ítrio são facilmente recuperados por lixiviação ácida simples e sugerimos que as lamas de águas profundas constituem um recurso altamente promissor para esses tipos de elementos."

Fonte e texto original aqui.

Geologia e Recursos Minerais do RN

Soube esta semana que a GEOLogus Jr. está com o projeto de identificação das riquezas minerais de cada cidade do Rio Grande do Norte. É um projeto muito interessante para as prefeituras de cada cidade planejarem melhor o seu apoio à pesquisa e mineração dos seus bens minerais.

Para quem não sabe a mineração traz para as cidades emprego, desenvolvimento e os royalties da mineração (CFEM). No ano passado, por exemplo, os municípios do RN arrecadaram R$ 623.864,72. Acham muito? Não é. Pelo contrário, é pouquíssimo se comparado ao potencial do estado. Só para título de comparação, o nossa vizinha Paraíba arrecada R$ 2.144.545,36, sendo que apenas uma cidade, Mataraca, arrecada mais que todo o Rio Grande do Norte.